TOM:

Pode significar, basicamente, três coisas:

A) A distância máxima existente entre duas notas distintas de uma escala;

B) A tonalidade em que está escrita uma determinada música;

C) O som que sai dos captadores do Baixo. Nesse momento vamos considerar esse significado para tonalidade.

Em uma determinada tonalidade, as notas guardam todas uma relação entre si, seguindo algumas regras as quais, ainda que possam ser quebradas, são responsáveis por dar consistência à música (ao menos no Ocidente).

ESCALA:

A escala se refere às notas de uma tonalidade dispostas em ordem ascendente ou descendente. Assim, se estivermos na tonalidade (ou no tom) de C, as notas da escala de C serão: C D E F G A B em sentido ascendente ou C B A G F E D em sentido descendente. Simplificando, uma escala não é mais do que uma sucessão de notas partindo da nota principal do tom em que estejamos até chegar outra vez a essa nota mas em uma oitava acima ou abaixo, de acordo com as seguintes regras:

A) Em uma escala MAIOR: 2 tons + 1 semitom + 3 tons + 1 semitom;

B) Em uma escala MENOR: 1 tom + 1 semitom + 2 tons + 1 semitom + 2 tons.

Partindo de qualquer nota poderemos construir uma escala maior ou menor seguindo as regras acima. Para entender melhor o que estamos falando, pegue o Baixo e toque o exemplo abaixo. A digitação correspondente é:

Esta é a escala de C. A distância que há entre o primeiro C e o último constitui uma OITAVA. Nos próximos capítulos voltaremos a falar mais detalhadamente sobre esse assunto.

TONS E SEMITONS:

Vamos relembrar algo que já comentamos. Pegue novamente o Baixo e ponha o dedo indicador em uma nota qualquer (p.ex.: um C). Agora ponha o anelar dois trastes mais adiante (p.ex.: um D). Essa distância entre notas é de um tom. Volte a pôr o indicador em C, mas agora ponha o dedo médio um traste mais adiante. Essa distância entre notas é de um semi-tom. Dois semi-tons constituem um tom.

MODO:

Uma tonalidade pode ser MAIOR ou MENOR. Como saber? Muito fácil: a distância que há entre a primeira nota e a terceira da escala nos diz se esta é maior ou menor. Se a distância entre a primeira e a terceira nota for de 2 tons, então a escala será maior; se for de 1 tom e meio, a escala será menor.

INTERVALOS:

A distância, medida em quantidades de tons e semitons, que existe entre duas notas quaisquer constitui um intervalo que recebe o nome do número de notas que existem entre elas.

Os intervalos podem ser:

Intervalos Simples

melódico: formado por notas sucessivas.

harmônico: formado por notas simultâneas

 

ascendente: a primeira nota é mais grave que a segunda.

descendente: a primeira nota é mais aguda que a segunda.

 

conjunto: formado por duas notas consecutivas.

disjunto: formado por duas notas não consecutivas.

 

simples: intervalos até a oitava

composto: intervalos maiores que oitava

 

Dividimos a classificação dos intervalos em duas etapas:

 

1. verificamos quantas notas estão envolvidas no intervalo

neste exemplo temos uma 5a

 

2. verificamos a quantidade de tons e semitons e damos uma classificação:

 

Como podemos constatar observando a tabela acima:

 

Os justos são: 1as, 4as, 5as e 8as.

Os maiores/menores são: 2as, 3as, 6as e 7as.

 

Inversão dos Intervalos

 

Inverter um intervalo é transportar a nota mais grave uma oitava acima ou a nota mais aguda uma oitava abaixo.

 

 

A inversão muda a classificação de intervalos.

 

A soma do intervalo original com o intervalo invertido é nove.

 

Ou seja, a 2ª invertida transforma-se em 7ª, a 6ª em 3ª e assim por diante.

 

Quando os intervalos são invertidos, a sua classificação também é invertida, como na tabela abaixo:

 

Intervalos Compostos

 

Intervalo composto é um intervalo maior que uma oitava

 

 

O intervalo composto tem um intervalo simples correspondente. Para encontrar seu correspondente, subtraímos 7, se o intervalo ainda ficar maior que 8ª, continuamos a subtrair 7 até achar um intervalo simples que será o correspondente.

 

Obs.: Cada 7 unidades subtraídas correspondem a uma 8ª

 

Classifica-se o intervalo composto como se fosse intervalo simples correspondente.

 

 

Nos exemplos acima achamos o correspondente simples 3M, então o composto é 10M, depois achamos o simples 2M, então o composto também é maior (16M).

Já deve ter observado na escala de C que tocamos antes que a distância entre notas não é sempre a mesma. De fato, entre E e F há um semitom e entre B e C, o mesmo. O restante das notas estão a distância de tom. E que distância há entre C e E, a primeira nota e a terceira? Exato, dois tons. Logo, a escala anterior é a escala de C maior.

GRAUS:

As notas da escala constituem, segundo sua ordem, uma série de graus. Os graus se numeram com algarismos romanos, de acordo com a figura abaixo.

Os nomes dos graus são como segue:

Nomes dos Graus da Escala

I Grau

- Tônica

II Grau

- Supertônica ou Sobretônica

III Grau

- Mediante

IV Grau

- Subdominante

V Grau

- Dominante

VI Grau

- Superdominante ou Sobredominante

VII Grau

- Sensível

O VIII grau constitui de novo a tônica, já que não é mais do que esta mas uma oitava acima. Por tanto, e repassando o que dissemos, a distância entre os graus I e III da escala, ou entre a tônica e a mediante (ou simplesmente a terça), é o que nos dá o modo da escala, é dizer, se é maior ou menor.

ACORDES:

Um acorde consiste em tocar duas ou mais notas por vez. Os acordes mais simples também são chamados de tríades e estão compostos, logicamente, por três notas: fundamental (ou tônica), terça e quinta. Tente construir o acorde de C maior. Pegue a fundamental (a que dá nome ao acorde); depois adicione a terça, ou seja E e por último acrescente a quinta, isto é, G. Pronto mas, não tente tocá-lo com o Baixo, não soa tão bem quanto em um violão, por exemplo. Mas se tocar nota por nota: C, E, G.... Tocar as notas de um acorde em sequência no lugar de todas de uma vez, é o que chamamos de ARPEGIO. Os baixistas se dedicam mais a arpegios do que a acordes completos (ainda mais que a partir de 2 ou 3 notas podemos tocar bastante). Segue o acorde que acabamos de construir (Dó - C) e o respectivo arpegio.

Da mesma forma construiríamos os demais acordes na tonalidade de Dó (C) maior. O acorde de D (II grau) seria formado por D , F, A e, naturalmente, seria um acorde de D menor (lembre da distância entre a tônica e a terça). E assim faríamos com o restante dos Acordes.

Bem, voltando ao assunto rock’n roll e falando um pouco de história, recordaremos que o rock’n roll vem diretamente do blues. Aliás, o esquema que vamos ver adiante pode ser tocado de muitas maneiras e a muitas velocidades distintas e, dependendo do ritmo que lhe impusermos, soará como blues, ou rythm&blues, ou rock, ou rockabilly , ou country, ou boogie-woogie, ou inclusive soul. A harmonia que "leva" quase todas as canções de rock (e de blues) dos anos 50 é: I - IV - V. Que na tonalidade de C maior vem a ser: C - F - G. A seguir é possível ver o esquema da estrutura clássica de qualquer blues ou rock’n roll. São 12 compassos na seguinte forma:

A digitação que vimos na página de fundamentos serve para este exemplo, colocando sempre o dedo #2 da mão esquerda na tônica do acorde em que estejamos. É importante ir passo a passo até que tudo que estudamos até agora esteja suficientemente claro. Uma só lida não basta para reter todos os nomes e o que significam e nem para fixar conceitos como TONALIDADE, ARPEGIOS, etc. Estes conceitos têm que estar muito claros. Ainda que ainda não os compreenda integralmente, com um pouco de paciência e (sobretudo) prática, acabará por entendê-los. Assim, se houverem dúvidas repasse a lição.

Como dissemos, a estrutura é I - IV - V. Assim, sabendo esta estrutura e dominando perfeitamente os graus, poderemos tocar em qualquer tonalidade. Como? Veja, por exemplo, o tom de A maior. O I grau seria A, o IV grau, contando sempre para cima, a partir de A, seria D e o V grau ou dominante seria E. Assim que, no exemplo anterior, substituiremos C por A, F por D e G por E, e já tens o rock’n roll ou o blues transportado ao tom de A. Já deve ter observado que o posicionamento no braço do Baixo é semelhante (o que não deixa de ser uma vantagem). Convém memorizar o posicionamento de cada acorde e, quando os tivermos na memória funcionarão automaticamente evitando que tenhamos que pensar rotineiramente na explicação teórica. Ou seja, tente memorizar agora mesmo o gráfico seguinte.

E o que significa o C6 ao qual nos referimos no início deste capítulo? Ainda é um pouco cedo para falarmos disso mas, vamos comentar um pouco sem nos aprofundarmos muito. Um C6 (lê-se "dó sexta"), não é mais do que um acorde de C maior, mas adicionando-lhe a sexta, quer dizer, o VI grau. Consiste, por tanto em C - E - G - A. Pergunta de prova: que notas compõem o acorde (ou o arpegio) de A7? Não se precipite, o assunto das sétimas é um pouco mais complexo, conforme veremos na lição seguinte.