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12/07/2006 - Morre aos 60 anos, Syd Barret,

Vi as melhores mentes de minha geração destruídas pela loucura, sentenciou Allen Ginsberg no poema "O Uivo", o grande manifesto da geração beat, de 1955. Uma dessas melhores mentes arruinadas naqueles anos foi a de Syd Barrett, guitarrista, cantor e compositor que fundou o grupo inglês Pink Floyd nos anos 60. Todos os malucos o amavam. Ele foi uma estrela que passou rápido, deixando um rastro de fogo perene no céu da música pop internacional.

Syd Barrett, nascido Roger Keith Barrett no dia 6 de janeiro de 1946, morreu em Cambridge. Seu porta-voz disse que ele tinha morrido já há alguns dias, mas a família só informou terça-feira. Não disseram a causa. Ele sofria de diabetes havia anos.

Quem o viu nos últimos tempos não daria um centavo por Syd. Sexagenário, vivia alienado com a mãe em sua casa de infância em Cambridge, obeso e careca, assistindo à TV o tempo todo. Foi para ele, anjo caído, que o Pink Floyd fez a sensacional canção "Shine on You Crazy Diamond", no álbum Wish You Were here, de 1975. "Você foi apanhado no cruzamento entre a infância e o estrelato", diz a letra. Foi curioso, porque justamente naquele dia, quando gravavam a música em sua homenagem, Barrett reapareceu de sopetão no estúdio, após anos de sumiço. Tinha raspado a cabeça e estava mais gordo, e alguns dos integrantes da banda não o reconheceram. "Quando o vi lá, naquele estado, eu chorei", contou Nick Mason.

Mas quem ouve Syd Barrett no auge, em seus discos com o Pink Floyd e sozinho, vê que ele tinha algo a mais e não era apenas um pirado esquisitão. Sua música, a primeira a ser rotulada de psicodélica, fez a cabeça de muito som que ouvimos hoje.

John Hassall, baixista dos Libertines, adora Syd Barrett; Devendra Banhart, o menestrel folk, até o imita. E o que dizer de Arnaldo Dias Baptista, dos Mutantes? E a lista é imensa: Blur, The Magic Numbers, Beck, Moby, Flaming Lips, entre outros.

Syd Barrett fez apenas um disco com o Pink Floyd, "The Piper at the Gates of Dawn" (no segundo, "A Saucerful of Secrets", ele assina somente uma canção, Jugband Blues). Mas nesse disco de estréia da banda, que saiu em agosto de 1967, tudo é de Barrett (à exceção de Take the Stathoscopy and Walk, de Roger Waters). E as canções pareciam pairar em algum universo paralelo à música da época, especialmente a dos Beatles.

Dali em diante, o herói mergulhou num lago de LSD e começou a pirar. Consta que ele foi aos Estados Unidos com o Pink Floyd, para se apresentar em programas de TV, e não abria a boca durante os play-backs, viajando para alguma galáxia distante.

O grupo, que crescia rápido rumo ao estrelato, achou melhor não carregar a tiracolo um sujeito que ficava caçando vaga-lumes enquanto eles tocavam para multidões. Mandaram-no embora e, no seu lugar, entrou David Gilmour, em 1968.

O Pink Floyd acabou se tornando uma das maiores bandas de todos os tempos - 116 milhões de discos vendidos e 25 anos no topo das paradas. A opulência de seus shows, os aparatos teatrais, cênicos (um tipo de Cirque du Soleil viajandão) e a grandiosidade daquilo acabaram servindo como pretexto para o surgimento de uma geração reativa, o punk, que não queria o rock num estágio tão industrial.

Nick Mason, que tinha encontrado os parceiros Roger Waters e Rick Wright quando estudava arquitetura na Regent Street Polytechnic, contou em seu livro de memórias as brigas e os problemas com o baixista megalomaníaco Roger Waters, que tentou demitir Rick Wright durante a turnê de "The Wall", em 1979, e passou a marginalizar David Gilmour. Em 1986, separaram-se.

Syd Barrett pirou, saiu de cena, mas ao menos escapou do tiroteio mesquinho que se instalou na banda. E esta semana, escapou também de todo o resto. Foi divulgado um comunicado dos ex-parceiros hoje: "A banda está naturalmente chateada e triste com a morte de Syd Barrett. Syd foi a luz que guiou o grupo no início e deixa um legado que continua a inspirar."

"Eu não acho que ele tenha perdido o circo pop", diz o guitarrista do Blur, Graham Coxon. "Acho apenas que ele se encheu e escolheu uma existência mais pastoral." (AE)

Por Jotabê Medeiros

[ Redação Cruzeiro do Sul ] - www.cruzeironet.com.br

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